10 perguntas mais frequentes sobre TDAH

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10 perguntas mais frequentes sobre TDAH

 

É cada vez mais comum nos consultórios e nas salas de aula a queixa sobre a agitação e desatenção de algumas crianças. E, com grande frequência, em meio à observação da inquietude e falta de concentração, logo vem o rótulo: “deve ter TDAH”. Entretanto, o desconhecimento sobre o que realmente seja TDAH e a dificuldade em diferenciá-lo de outros quadros (ou de uma simples dificuldade de aprendizagem) pode comprometer o desenvolvimento de muitas crianças. Estudos de acompanhamento prospectivo demonstram que o TDAH é fator de risco para baixo desempenho acadêmico crônico, para altos índices de abandono escolar e para maior probabilidade de abuso de substâncias químicas na adolescência.

  1. O que é o TDAH?

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, que se caracteriza por sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade. Ou seja, para ser caracterizado como TDAH estas 3 características precisam estar presentes e em diferentes situações como em casa, na escola e outros ambientes que a criança frequenta.

A desatenção pode ser entendida como uma dificuldade em se concentrar em tarefas e brincadeiras (a criança não seguir instruções até o fim, deixa a tarefa inacabada, distrai-se com facilidade) e por esquecimentos frequentes (perde materiais, esquece compromissos). A hiperatividade é uma característica comportamental de agitação constante (dificuldade me permanecer sentado quando necessário, corre e sobe em objetos frequentemente, fala demais). Já a terceira característica é a impulsividade (não consegue aguardar a vez, fala antes de pensar ou antes da hora certa). Quem tem TDAH é agitado, desatento e impulsivo.

É preciso reforçar que o TDAH não é um transtorno devido às circunstâncias sociais em que a criança vive. O TDAH tem uma origem neurológica. Estudos científicos mostram que portadores de TDAH têm alterações na região frontal e nas suas conexões com o resto do cérebro. Esta região é responsável pela inibição do comportamento (isto é, controlar ou inibir comportamentos inadequados), autocontrole, organização e planejamento.

Por ser mais evidente em crianças na idade escolar, educadores e pais precisam estar atentos aos sinais do transtorno.

  1. Se a criança já nasce com o TDAH, quais sinais os pais e professores devem ficar atentos?

As manifestações desse problema sempre têm início na infância. Ninguém adquire o transtorno na adolescência ou idade adulta. Muitas vezes os pais contam que já desde o berço notavam que aquela criança era mais agitada, mais insaciável, irritada, de difícil consolo, com maior prevalência de cólicas, dificuldades de alimentação e de sono.

Na idade pré-escolar é uma criança mais agitada, pode ter dificuldade de ajustamento, ser mais teimosa, irritada e extremamente difícil de satisfazer.

No ensino fundamental pode ter incapacidade de se concentrar, distração, ser mais impulsivo, ter um desempenho inconsistente e a presença de hiperatividade.

Na adolescência é inquieto, o desempenho acadêmico é ruim, há dificuldade de concentrar, de memorizar, além da propensão ao abuso de substâncias químicas e acidentes.

 

  1. Com que frequência ocorre o TDAH?

 A frequência com que se observa entre as crianças varia de 3 a 10 % da população infantil. Nos adultos estima-se que deve ser em torno de 4%. Pensa-se que em cada sala de aula deve existir pelo menos uma criança com esse problema. (Associação Brasileira de Déficit de Atenção – ABDA)

 4. Qual a causa do TDAH?

 O TDAH tem causas genéticas, aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Quando identificamos uma pessoa com TDAH, se pesquisarmos na mesma família, invariavelmente encontraremos outras pessoas com o mesmo problema, com frequência um dos pais ou algum irmão.

Substâncias ingeridas na gravidez como a nicotina e o álcool também podem causar alterações em algumas partes do cérebro do bebê. Pesquisas indicam que mães alcoolistas têm maiores chances de ter filhos com problemas de hiperatividade e desatenção. Entretanto, muitos destes estudos somente nos mostram uma associação entre estes fatores, mas não mostram uma relação de causa e efeito.

Problemas familiares podem agravar um quadro de TDAH, mas não causá-lo.

 5. Quais as consequências do TDAH para uma pessoa?

Uma pessoa com TDAH, quando não é muito acentuado, pode passar pela vida sem maiores complicações. Todavia, o mais comum é que os sintomas do TDAH (desatenção, hiperatividade e impulsividade) tragam alguns prejuízos. Além de baixo rendimento escolar, podem ocorrer dificuldades nos relacionamentos, baixa autoestima, problemas profissionais (mudanças frequentes de trabalho, demissões, nível de realização abaixo da sua capacidade), maior propensão ao uso de álcool e drogas, maior propensão a vários tipos de acidentes (como no os acidentes de trânsito), risco maior de apresentarem outros transtornos (como depressão, transtornos ansiosos, etc).

Ou seja, se realmente for confirmado o diagnóstico de TDAH é necessário levar a sério o tratamento para minimizar as possíveis consequências negativas.

  1. Como o TDAH pode ser diagnosticado?

Não existe no momento nenhum teste ou exame que sozinho faça o diagnóstico do TDAH, sendo o mesmo feito de forma clínica. O diagnóstico deve ser feito por psiquiatras ou neuropediatras, com ajuda de psicólogos, que fazem avaliações e questionários para saber se essa criança realmente tem o nível de atenção e hiperatividade que excede o que é encontrado em crianças normais.

Para o diagnóstico ser confirmado é necessário que os sintomas durem um certo tempo, em mais de um lugar (casa, escola, lazer) e prejudicar a pessoa (aprendizado, convívio, tarefas). Além disso, os sintomas devem atender os critérios descritos no Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-V). Conforme este manual o diagnóstico de TDAH não é confiável para crianças menores de 5 anos (níveis inadequados de atenção, hipercinesia e impulsividade podem ser comportamentos normais nestas idades).

O TDAH não deve ser confundido com o comportamento de uma criança que é apenas agitada ou hiperativa. Além disso, é necessário descartar a ocorrência dos sintomas devido somente a separação ou briga dos pais (que podem causar sintomas parecidos com os de TDAH), a diminuição da audição ou da visão às vezes ainda não detectadas (pode deixar uma criança desinteressada, desatenta e inquieta), o uso de certos medicamentos e algumas doenças clínicas, a presença de transtornos psíquicos (como o autismo, a depressão, o transtorno bipolar, os quadros de ansiedade).

  1. O TDAH pode estar associado a outros transtornos?

Conforme a ABDA, estima-se que até 70% das crianças com TDAH apresentam simultaneamente outros transtornos. O TDAH pode estar associado com: 1. Transtornos do Aprendizado (dos quais os mais comuns são os transtornos de leitura, de escrita e de matemática); 2. Transtorno de Desafio e Oposição e Transtorno de Conduta; 3. Tiques; 4. Transtorno Ansiosos (Pânico, Fobia Social, Transtorno de Ansiedade Generalizada); 5. Transtornos do Humor (Depressão, Distimia, Transtorno Bipolar) 6. Abuso de Drogas e Alcoolismo.

  1. O TDAH tem cura?

Uma vez que o TDAH é de origem neurológica ele acompanha a pessoa por toda a vida. É importante que seja diagnosticado desde a infância para que seja iniciado o tratamento adequado, o que pode minimizar maiores prejuízos e riscos na adolescência ou idade adulta. Existem, entretanto, muitos adultos com déficit de atenção, os quais podem se beneficiar de estratégias de controle para lidar com a desatenção e a hiperatividade, que é a característica do transtorno. Caso isto não ocorra, essas pessoas podem ficar mais expostas a situações de acidentes e risco, provenientes da sua desatenção dificuldade de controle dos impulsos.

Enfim, não se pode falar em cura do TDAH. A pessoa pode ter uma vida ajustada caso faça o tratamento adequado e aprenda a conviver com os sintomas.

  1. Qual o tratamento mais indicado?

Existem alguns medicamentos que são utilizados, justamente devido à existência de uma base neurológica. Esses medicamentos atuam nas funções e neurotransmissores que supostamente estão falhos e servem para controle da impulsividade, da hiperatividade e da desatenção. Além dos medicamentos, é importante a intervenção complementar com um psicólogo, o qual ajudará no controle dos comportamentos. A abordagem mais indicada é a cognitivo comportamental. O trabalho de um pedagogo ou psicopedagogo também será fundamental para auxiliar na aprendizagem escolar.

Ou seja, o tratamento do TDAH envolve abordagens múltiplas, devendo receber orientações não só o paciente, mas como também a família e a escola.

 

  1. . Qual o papel do professor no processo diagnóstico e no tratamento do TDAH?

Os professores observam as crianças em uma grande variedade de situações e possuem experiência com um grande número de crianças, o que possibilita a distinção entre os comportamentos esperados para a faixa etária e os comportamentos atípicos. Identificar precocemente os sintomas e encaminhar a criança o mais rápido possível para a avaliação médica é fundamental no processo diagnóstico e de tratamento do TDAH. Não cabe ao professor realizar o diagnóstico. O papel preponderante é o de encaminhamento para os serviços especializados. Uma vez confirmado o diagnóstico um plano de intervenção deve ser traçado para favorecer o aprendizado e ajustar o comportamento.

 

Concluindo, reforçamos a importância do encaminhamento precoce para diagnóstico e tratamento.  Embora nem tudo seja TDAH, ele atinge um número significativo de pessoas, perdura por toda a vida, sendo necessária intervenção apropriada para que o paciente consiga ter uma vida feliz e ajustada.

Valeska Magierek

Psicóloga, Especialização em Neuropsicologia e Mestre em Psicobiologia. Atua na área Clínica com atendimento de crianças e como Professora Universitária.