AS DÚVIDAS MAIS COMUNS SOBRE DESFRALDE DAS CRIANÇAS

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O desfralde é um dos primeiros passos rumo à autonomia da criança, e também é considerado um momento de descobertas, quando a criança toma consciência de suas capacidades de controle e de seu corpo.
Cuidadores, tanto no ambiente familiar quanto na Educação Infantil, têm papel fundamental para o sucesso do desfralde. Os profissionais de Primeira Infância, incluindo pediatras e educadores, podem atuar orientando os pais sobre procedimentos que podem ajudar em casa e na creche para que a criança deixe de usar fraldas.
A conquista da autonomia é um processo peculiar de cada criança, mas também muito influenciado pelo
ambiente. A aquisição de bons hábitos de micção e evacuação é fundamental para o bem-estar durante toda a vida, portanto o início deste processo é muito importante.

Existe idade certa para iniciar ou começar o desfralde?

Para que o desfralde aconteça no tempo adequado da criança, é fundamental que os adultos entendam
como se dá essa etapa de desenvolvimento infantil e conheçam as melhores práticas para ajudar as crianças a desfraldarem sem traumas.
Não existe uma idade determinada para que seja iniciado o desfralde, mas é comum que o processo comece entre os 24 meses e 36 meses de idade. A identificação da hora certa para começar o desfralde ocorre a partir da observação dos sinais emitidos pela criança. Importante lembrar que nos casos de crianças com algum atraso no desenvolvimento psicomotor o desfralde geralmente tende a ser mais tarde também.
O treinamento esfincteriano deve ser desenvolvido junto com os pais, baseado no desenvolvimento da
criança e não apenas na idade cronológica. A implementação do treinamento deve ser feita ao mesmo tempo em casa e na creche.
Esta deve ser iniciada quando a família estiver preparada e a criança apresentar sinais de que está pronta
para a aquisição da continência social.

Quais são os sinais que a família precisa ficar atenta para iniciar o processo de desfralde?

Um dos primeiros sinais é a criança anunciar que vai quer fazer xixi ou cocô. Fraldas secas por períodos
prolongados durante o dia, fralda seca ao amanhecer, vontade de retirar a fralde e utilizar o sanitário igual ao adultos também são sinais importantes para o processo de desfralde. As meninas costumam ser mais precoces nessa fase que os meninos, por conta da própria natureza do desenvolvimento do organismo feminino. Já o controle noturno deve ocorrer somente por volta dos 36 meses, com variações de criança para criança. Outros sinais também são importantes neste processo, como a 1) Compreensão do conceito de causa e efeito; 2) Habilidade de comunicação e de permanecer com a fralda seca por períodos mais longos, de até 2 horas. A fralda fica seca no sono da tarde; 3) Evacuações regulares e previsíveis; reconhece a fralda molhada ou com fezes; 4) Percepção e compreensão da sensação de necessidade de urinar ou evacuar; 5) Habilidade de sentar no toalete; 6) Demonstra interesse em ver os pais ou irmãos usando o banheiro e quer imitá-los.

Se houver constipação, deve-se corrigi-la antes do início da retirada da fralda. Caso não haja condições
familiares adequadas, por exemplo: mudança de residência, nascimento de irmão, a mesma pode ser adiada. Entretanto, deve-se evitar postergar o treinamento quando a criança apresenta sinais de maturidade, pois este atraso pode dificultá-lo.

Existe alguma estratégia que auxilie no processo de desfralde?

Uma das estratégias mais eficazes para o desfralde é a exploração do processo por meio de brincadeiras,
tornando a ida ao banheiro um ato comum e prazeroso para a criança. Brincadeiras como ‘dar tchau para cocô’, cantar musiquinhas e brincar com bonecos enquanto faz xixi são algumas das sugestões. Alguns pediatras também incluem nas recomendações o uso de penico (no lugar do assento redutor), o uso de roupas mais simples de serem retiradas pela própria criança e o envolvimento ativo da criança em todo o processo, por exemplo, deixando claro que elas podem pedir para ir ao banheiro a qualquer momento.

É importante atentar para alguns comportamentos que devem ser evitados por pais e cuidadores que
conduzem o processo de desfralde. Iniciar o desfralde quando a criança não está preparada, castigar a criança ou escolher um mau momento para iniciar desfralde (durante uma doença ou crise emocional, por exemplo) podem fazer dessa uma etapa traumática. Forçar o desfralde, desrespeitando a maturação biológica e o tempo de aprendizado da criança, pode ser prejudicial ao seu desenvolvimento. Alguns desses comportamentos podem levar a problemas graves que se prolongam na infância e vida adulta, como a prisão de ventre.

Quais são os problemas mais comuns no processo de desfralde?

Durante o desfralde, é comum que as crianças apresentem fases de evolução e regressão. Não querer usar o vaso sanitário, fazer menos cocô do que antes e recusar-se a usar o banheiro da escola são atitudes muito comuns durante essa fase. Outros problemas comuns são reclamar ou chorar quando o adulto sugere que é hora de ir ao banheiro e voltar a fazer xixi na calça após o desfralde completo. Nesses momentos, é necessário prestar atenção aos sinais da criança, ter paciência, conversar e tranquilizá-la em relação ao que possa estar incomodando.
As crianças com transtornos no Desenvolvimento podem precisar de um período maior e técnicas especiais de treinamento, toaletes adaptadas e outros cuidados.

A creche e a escola podem ajudar no processo de desfralde?

Sim! A creche e a escola infantil devem ser parceiras das famílias neste processo! Família e escola devem se empenhar conjuntamente em benefício da criança. As crianças pré-escolares e escolares devem ter
oportunidade de uso frequente do toalete e liberação para fazê-lo sempre que solicitado, evitando
postergações desnecessárias. Elas devem, também, ser treinadas para lavar as mãos após o uso do toalete.

E quando o desfralde não dá certo e a incontinência se torna um problema?

Crianças de todas as idades podem sofrer com problemas relacionados ao xixi, desde o desfralde até a
adolescência. Os mais comuns são enurese noturna (xixi na cama), disfunção miccional (problema no esvaziamentoda bexiga) e hiperatividade vesical (urgência ou alta frequência).
Incontinência urinária, enurese ou falta de controle da urina são problemas que afetam 20% das crianças até 5 anos de idade e 10% de 6 anos de idade.  Até os 5 anos de idade, fazer xixi na cama é considerado normal, considerando que o sistema urinário infantil ainda não está totalmente formado. Durante esse período e após, os pais devem ficar atentos, pois pode se tratar de enurese noturna. Diversos fatores podem causar essa doença, incluindo fatores emocionais, físicos e hormonais. A atitude dos pais e cuidadores, de tolerar e não culpar a criança é primordial para o tratamento.
A capacidade de controlar as necessidades fisiológicas (urina e fezes) tem muito a ver com a forma com que foi feito o desfralde. Segundo pediatras, é normal ocorrerem acidentes no início do processo de treinamento esfincteriano. Por isso, esse momento não deve ser tratado prova de inteligência da criança, mas sim como uma etapa de seu desenvolvimento físico e emocional.
Mas a enurese precisa ser tratada devido aos elementos emocionais a ela associados, após terem sido
descartadas quaisquer questões fisiológicas/biológicas.

Valeska Magierek. Psicóloga e Neuropsicóloga, com experiência de 20 anos no atendimento de crianças, como palestrante e professora universitária. É Diretora clínica do Centro AMA de Desenvolvimento em Barbacena e autora do livro “A semente mágica”. www.centroamadesenvolvimento.com.br