INTERNET – O PERIGO MORA BEM AQUI

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Muito se ouve falar sobre os perigos da Internet que afetam a saúde e o bem-estar de crianças e jovens.

A Internet pode ser uma grande aliada nestes tempos de globalização, mas em muitos casos pode representar um perigo silencioso.

  • Tudo aquilo que a Internet oferece é ruim?

Não. Nem tudo que a Internet oferece é ruim. Se soubermos aproveitar e utilizar com bom senso, a Internet pode ser uma excelente fonte de informação, conhecimento e interação.

Mas como tudo na vida, a Internet também tem seu lado ruim, perigoso. E nem sempre nossas e crianças e jovens percebem o perigo por trás das telas.

  • Quais perigos a Internet pode trazer, principalmente para as crianças e adolescentes?

Estamos cansados de ouvir e saber dos muitos perigos que a Internet pode trazer para nossas crianças e adolescentes. Risco de pedofilia, drogas, bullying, incentivo ao suicídio, dentre outros. Existem pessoas com diversos interesses que utilizam a rede. E as armadilhas são tentadoras! Sites perigosos se vestem de cores, atrativos, assuntos que interessam nossas crianças e jovens. São interativos, inicialmente interessantes, falam a linguagem deles, são de facílimo acesso. Começam despretensiosos e envolvem as pessoas sem que elas percebam. Um perigo silencioso, uma vez que entra em nossas casas, muitas vezes com a nossa ‘permissão’.

  • Como os pais e responsáveis podem evitar que as crianças fiquem vulneráveis aos perigos da Internet?

Antes de mais nada, precisamos estar atentos à idade da criança, ao conteúdo indicado para cada faixa etária e ao tempo de exposição à Internet.

É fundamental que as famílias saibam o que as crianças acessam, é fundamental que as famílias não substituam sua presença por sites e jogos perigosos, é fundamental que a criança tenha fontes reais de diversão, companhia e entretenimento.

  • A quanto tempo as crianças podem e devem ficar expostas a telas e conteúdos, de forma segura, sem atrapalhar seu desenvolvimento global?

A ABENEPI (Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil) divulgou recentemente (em 16/09/2019) orientações corretas baseadas em evidências científicas sobre o uso racional do uso de tecnologias. É válido relembrar que não precisamos ser radicais, mas precisamos ser coerentes! Muitos pais nos procuram em busca de soluções mágicas e rápidas para o problema que eles mesmos criaram e incentivaram. É mais fácil cuidar do que remediar!  Reduzir o tempo de exposição consequentemente evita o acesso a conteúdos e sites impróprios e perigosos. Vamos às orientações que podem ajudar todos nós:

  1. O uso de telas (televisão, tablet, celular e videogames) antes de dois anos de idade causam importantes desvios no desenvolvimento neuro psicomotor, não só pelo uso em si, mas também porque eles competem com experiências sensoriais e motoras, como exploração do ambiente contato com familiares e pessoas próximas que são de fundamental importância para o desenvolvimento do cérebro humano.
  2. De acordo com a Academia Americana de Pediatria abaixo de dois anos de idade, o recomendado é nenhuma exposição a tecnologia. Entre 3 e 5 anos no máximo uma hora por dia sob supervisão dos pais. Entre 6 e 18 anos – 2 horas por dia, sendo que pode variar dependendo do conteúdo, hábitos de vida e nível de socialização. Recomendamos que este tempo não exceda 4 horas. Existe relação entre a quantidade exposição, predisposição individual e qualidade do conteúdo, para que esse tempo seja avaliado de forma individual.
  3. Em relação aos videogames está comprovado que o uso excessivo pode causar dependência. Constará no Código internacional de doenças CID-11, em vigor a partir de janeiro de 2022.
  4. É muito importante salientar que nenhuma tecnologia substitui o contato pessoal direto. Valorização da família e amigos.
  5. Sono é extremamente importante é varia de acordo com a faixa etária.
  6. Alimentação saudável, atividades físicas regulares, brincadeiras ao ar livre, jogos de tabuleiro, esporte, leitura, música, artes e meditação, bem como todas as atividades de contato humano são essenciais para nossa saúde mental.

  • As crianças e adolescentes têm condição de definir o que é ou não é bom para si próprios?

Não. As crianças e adolescentes ainda não têm condições de diferenciar o que é certo e o que é errado, o que perigoso do que que é realmente seguro. É nosso papel de pais orientar, cuidar e educar nossas crianças. Às vezes até nós mesmos, já adultos, somos vítimas fáceis de golpes e de pessoas de má índole. Sendo assim pais e responsáveis, vigiem e cuidem de seus filhos para que o perigo não entre na sua casa e cause danos à sua família.

Valeska Magierek (formada em Psicologia pela UFSJ, com especialização em Neuropsicologia pela FUMEC e mestrado em Psicobiologia na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP); atua há mais de 20 anos na área de Psicologia Infantil e Neuropsicologia; é coordenadora clínica do Centro AMA de Desenvolvimento em Barbacena.