MEU FILHO NÃO COME E EU NÃO SEI MAIS O QUE FAZER

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  • É normal uma criança ficar sem longo período sem comer, ou comer apenas um determinado tipo de alimento ou até não comer?

A criança em desenvolvimento precisa se alimentar para crescer, sob todos os aspectos (p.ex. físico, mental e até mesmo social).

Comer é fonte primária de desenvolvimento.

Quando uma criança não come, seja qual for o motivo, o mínimo que necessita em cada faixa etária para se desenvolver, por si só, este elemento serve de alerta.

Se pensarmos que um bebê mama a cada 2 ou 3 horas, dependendo de várias condições, uma criança que passa cerca de 10, 15 ou 24 horas comendo de forma restritiva ou sem comer, necessita de avaliação.

  • O que significa comer de forma restritiva ou seletiva?

Comer de forma seletiva ou restritiva significa que a criança ‘escolhe’, ‘tem preferência’ ou ‘consegue’ comer apenas determinado alimento ou grupo de alimentos.

Como exemplos bem comuns que encontramos todos os dias no consultório temos aquelas crianças que, mesmo passada a idade só mama no peito ou só toma um tipo de leite na mamadeira, que não aceita nenhum tipo de fruta (in natura ou em forma de suco), que prefere comidas só pastosas ou só em forma de grãos, que escolhe o alimento pela cor ou pelo cheiro, etc.

  • E o que o comer seletivo tem a ver com comportamento?

O comer seletivo pode ser devido a um padrão comportamental de oferta.

Por exemplo, amamentar, dependendo da situação é mais fácil do que oferecer a mamadeira, não dar a fruta é mais fácil do que insistir e apresentar uma variedade de frutas até que a criança dê pistas sobre seu paladar (sobre o que prefere ou não gosta), o ritmo da casa não favorece a regularidade e a variedade na alimentação, dentre outras situações comportamentais que também precisam ser consideradas nesta análise.

  • E nestes casos, como podemos tentar resolver a situação?

 

A orientação pediátrica é de que à criança, de acordo com sua idade, condições de saúde e ambiental, seja dada alimentação necessária e suficiente para que possa se desenvolver devidamente.

E isto implica em apresentar um cardápio rico em nutrientes, de acordo com a orientação do pediatra ou do médico que acompanha a criança.

  • Comer de forma seletiva ou não comer podem significar um problema de saúde que não apenas comportamental?

Sim, há situações em que comer de forma seletiva ou não comer podem significar uma condição de alerta, que vão além da mudança comportamental que, por si só, já traz benefícios.

Para estes casos, a família precisa comunicar ao pediatra a dificuldade, solicitar orientações e, se necessário, procurar por ajuda especializada.

Para as questões comportamentais, o psicólogo pode contribuir para resolver a questão; para outras tantas questões, o Terapeuta Ocupacional pode ajudar a família a atenuar ou até mesmo a resolver o problema, sem maiores prejuízos para a família.

  • Como podemos ajudar nossas crianças a ter uma alimentação mais saudável?

Todos nós precisamos de vitaminas, sais minerais e de uma variedade de nutrientes que nosso corpo pede diariamente para se manter ativo e funcionante.

Em casa devemos priorizar a alimentação saudável. Devemos oferecer mais frutas, legumes e verduras às nossas crianças.

Devemos evitar o excesso de gorduras (disfarçadas em pacotinhos de biscoitos recheados, por exemplo), açúcares (disfarçados em caixinhas de sucos e refrigerantes, por exemplo), corantes (balas, chicletes, etc.). Frituras, açúcar, corantes e uma infinidade de outros alimentos industrializados prejudicam a saúde de todos nós.

De vez em quando, podemos comer um ou outro alimento que gostamos, mas que não nos faz tão bem. Mas precisamos ficar atentos aos excessos e à rotina desses alimentos no nosso dia a dia.

Alimentar-se de forma saudável dá mais trabalho, mas também traz benefícios que serão importantes para o futuro.

A mudança do hábito alimentar familiar traz benefícios para todo mundo.

Valeska Magierek (formada em Psicologia pela UFSJ, com especialização em Neuropsicologia pela FUMEC e mestrado em Psicobiologia na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP); atua há mais de 20 anos na área de Psicologia Infantil e Neuropsicologia; é coordenadora clínica do Centro AMA de Desenvolvimento em Barbacena.