OS RISCOS DO USO DE CELULAR NA INFÂNCIA

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Atualmente vivemos uma época com acesso muito fácil à tecnologia de forma geral. Tanto as crianças como nós, adultos, nunca estivemos tão conectados como agora. É inegável o benefício e todos os avanços que essa tecnologia traz, mas o que muito pouca gente sabe é que há malefícios associados ao uso descontrolado desta mesma tecnologia.
A exposição precoce (crianças abaixo de 5 anos de idade) pode prejudicar o desenvolvimento da criança! Habilidades como atenção, concentração, memória e capacidade de resolução de problemas ficam prejudicadas na infância com o uso excessivo de celulares, uma vez que são estimulados a verdadeiras maratonas em jogos, aparentemente inofensivos, mas que não são tão inofensivos assim. Se até cerca de 5 anos atrás, os computadores e tablets eram os grandes vilões na infância, os celulares dominam o ranking hoje devido à sua facilidade de acesso.
E quanto mais cedo as crianças são expostas aos celulares, mais cedo podemos ver os danos por eles causados: crianças mais agitadas, padrões de sono alterados (dormem muito tarde, dormem pouco, não descansam), comportamentos irritadiços com baixa tolerância, imediatistas (querem tudo na hora), não sabem esperar, não sabem brincar com seus pares, têm seu desenvolvimento psicomotor alterado, criam comportamentos tipo dependência (hoje já tratamos dependência tecnológica na infância, o que é muito sério e grave, com consequências ainda imprevisíveis).
Assim, quanto menos tempo a criança ficar exposta ao celular, melhor será para seu desenvolvimento global, tanto psicomotor quanto emocional e cognitivo.

Quais são os riscos potenciais que uma criança corre quando utiliza o celular de forma descontrolada e excessiva?

Os riscos vão desde o sedentarismo (uma vez que nossas crianças têm se movimentado menos, aumentando o risco para doenças que anteriormente não faziam parte do universo infantil, tais como problemas cardiovasculares, obesidade, dentre outros), transtornos alimentares (uma vez que o padrão alimentar é totalmente modificado a fim de que a exposição ao celular seja priorizada), transtornos do sono (uma vez que nossas crianças têm dormido cada vez menos e com pior qualidade neste sono), transtornos psiquiátricos (que vão desde os Transtornos Ansiosos, passando pela Depressão Infantil até transtornos mais graves que necessitam de intervenção multiprofissional), dificuldades na aprendizagem
(rebaixamento nos níveis atencionais e de memória, passando por questões mais sérias que podem ser confundidas com Transtornos da Aprendizagem e cuja terapêutica pode ser conduzida de maneira equivocada), além de outras infinidades de condições que vimos diariamente nos consultórios e também nas escolas.

De quem é a responsabilidade do tempo de acesso da criança ao celular?

A responsabilidade sobre quaisquer fatores que estejam relacionados ao desenvolvimento da criança é da família na qual esta criança está inserida. Ou seja, a responsabilidade é sempre dos pais ou responsáveis por esta criança.
O que vimos na prática, muitas vezes, são famílias permissivas que delegam o cuidado da criança à própria criança! Permitem que as próprias crianças decidam o que querem, do jeito e maneira que querem. E quando se dão conta, regras e limites não existem mais, ficando muito difícil o controle e manejo dessa criança em casa e também na escola.
Como os celulares se tornaram babás e cuidadores mais fáceis e mais acessíveis, as crianças acabam por ficar mais tempo nesses aparelhos, sem controle de tempo e conteúdo, o que é extremamente perigoso em todos os sentidos.
Sabemos que não podemos privar esta geração da tecnologia, mas podemos ser mais responsáveis por nossas crianças, criando regras claras e limites também para o uso dos celulares.

A partir de que idade uma criança deveria fazer uso dos celulares?

Esta regra é ditada, principalmente, pelo bom senso. As sociedades científicas que tratam de crianças sugerem que o acesso aos celulares não deve acontecer antes dos 3 anos de idade. Nesta faixa etária deve-se priorizar o desenvolvimento infantil através de brincadeiras psicomotoras que são importantes e necessárias para a aquisição de muitas habilidades cognitivas no futuro, como, por exemplo, a leitura e a escrita.
Não falamos em idades para uso de celulares. Falamos de bom senso e responsabilidade com nossas crianças! Quanto mais tarde este equipamento fizer parte do cotidiano da criança, melhor para ela!
E ao longo do seu desenvolvimento, mesmo sabendo que a demanda por mais tempo conectado às redes aumenta, também devemos criar regras e limites de acesso.
O uso e o abuso são linhas tênues que podem prejudicar o desenvolvimento e a vida das crianças.
Sendo assim famílias, priorizem maior tempo com suas crianças, ao invés de deixa-las sozinhas diante das telas de celulares. O perigo hoje está dentro de casa!

A que fatores os pais precisam ficar alertas em casa?

As crianças podem estar e ser expostas a diversos riscos, a todo momento. E hoje isso não acontece apenas na rua, como na nossa geração.
Os diversos casos de pedofilia que ouvimos todos os dias nos mostram isso.
Como a criança não possui senso crítico suficiente para filtrar o que é certo e o que é errado, ela acaba sendo manipulada por pessoas perigosas de má fé.
Este é apenas um dos exemplos de perigo que as crianças correm nas redes!
As famílias precisam estar atentas ao tempo em que esta criança passa online, ao conteúdo acessado por ela, aos grupos que faz parte (aqueles em que são adicionadas e também àqueles que elas próprias criam), às mudanças de comportamento que podem acontecer, às mudanças de linguagem (excesso de gírias, palavrões, conteúdos impróprios para sua idade), à forma como suas crianças passaram a se vestir ultimamente, à perda de interesse por atividades que antes faziam parte do repertório da criança, etc.
Na verdade, a família precisa ficar atenta a qualquer mudança nos padrões de funcionamento da criança, a fim de que, se houver um problema, o mesmo possa ser rapidamente identificado e resolvido.
Postergar, fingir que não vê, ser negligente ou permissivo, sob alegações variadas apenas pioram a situação e dificulta a resolução dos problemas que daí podem advir.

Como as famílias podem diminuir os riscos que os celulares trazem às crianças?

Famílias! Cuidem de suas crianças! Fiquem atentas a elas! Criem regras e horários para o uso e acesso aos celulares! Vigiem mesmo os aparelhos, as redes, os amigos virtuais, as conversas! Limitem o tempo! Faça programas saudáveis com suas crianças: levem-nas para andar de bicicleta, pular corda, ir ao cinema, brincar com colegas da mesma idade. Dediquem mais de seu tempo aos seus filhos! Sejam seus reais amigos!
Uma família de verdade se constrói no dia a dia, com responsabilidade, carinho e zelo! Isso dá trabalho?! Sim! Educar e cuidar de crianças dá muito trabalho! Mas se você já as tem, cuide para que se tornem adultos saudáveis e felizes. Não deleguem aos celulares, às redes sociais e aos jogos online a responsabilidade da criação de seus filhos!
O tempo passa e a infância acaba num piscar de olhos. O adulto de amanhã depende
da criança de hoje.