Invisibilidade do Cuidado Feminino

Quem arrumou sua cama hoje? Quem preparou seu café da manhã? Quem lavou e passou as suas roupas que estão no armário? Quem cuidará de seu filho hoje na creche? Quem passou a noite no hospital cuidando de sua avó ou tia idosas?

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Quem arrumou sua cama hoje? Quem preparou seu café da manhã? Quem lavou e passou as suas roupas que estão no armário? Quem cuidará de seu filho hoje na creche? Quem passou a noite no hospital cuidando de sua avó ou tia idosas?

Na maioria das vezes são atividades não remuneradas, como, por exemplo, aquelas que as mães e esposas realizam todos os dias em suas casas, aquelas destinadas às mulheres que se dedicam à limpeza, à cozinha e etc.

Se estamos numa época de valorização da mulher em diversas áreas de trabalho, antes destinadas apenas aos homens, em outras áreas continuamos invisíveis, silenciosas e silenciadas.

O ENEM traz à tona a sociedade paralela que vivemos. Não há profissões mais ou menos importantes. Todas as atividades são necessárias e importantes.

Quantas mulheres abriram mão de seus empregos e sonhos para cuidar dos sonhos de sua família?

Não há mal algum em exercer qualquer tipo de atividade ou função. O grande erro está em não valorizar aquelas que nos fazem existir todos os dias.

Infelizmente ainda somos uma sociedade machista, com atividades ‘pré destinadas’ a homens ou a mulheres, dependendo da área relacionada. E, neste contexto, o trabalho relacionado ao cuidado feminino no país, além de silencioso, é menosprezado.

INVISIBILIDADE

O filósofo alemão, Gotthold Lessing, diz que existem certas coisas que um olho feminino vê com maior precisão do que cem olhos masculinos. Quem mais daria conta de preparar uma refeição em que todos à mesa ficassem satisfeitos? Quem mais daria conta de organizar toda a casa a fim de que todos pudessem exercer seus cargos e profissões sem preocupações? Quem mais poderia cuidar com tanto zelo e cuidado de todos em casa, respeitando-se a individualidade de cada um? O olhar feminino é cuidadoso, é zeloso, é amoroso, é detalhista. Nessa mesma sociedade da qual falamos minutos atrás, esse perfil pertence às mulheres por questões culturais. Somos nós, mulheres, que ficávamos em casa cuidando daqueles que se constituiriam em cidadãos de referência social. Cabia, a nós mulheres, o aprender a cuidar em silêncio. E, ao transcorrer tantos séculos e épocas, embora sejamos competitivas no mesmo patamar que o masculino, ainda nos cabe a velha e antiga missão do cuidar.

Quantas pessoas sequer sabem o nome das ajudantes que têm em casa? Quem de nós agradece, de fato, o trabalho feito por elas e por uma infinidade de outras mulheres, mesmo que recebam por ele?

Quantas vezes agradecemos nossas mães pela cama limpa e macia, pela comida quente e saborosa, pela organização da casa que coabitamos, pelo cuidado dedicado a vida toda?

E isto nada tem de pieguice ou romantismo. Tudo isso tem a ver com o valor que damos àqueles que passam invisíveis por nós, mas sem os quais teríamos que nos desdobrar em turnos, pelo menos, dobrados.

Ou seja, a invisibilidade do trabalho de cuidado exercido pelas mulheres é única e exclusiva responsabilidade nossa. Mesmo que não admitamos. 

CARREIRA

Clarice Lispector, muito sabiamente, diz: “que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho”.

Para cada um de nós, qual é realmente o significado de trabalho e de carreira? Só tem carreira aqueles que frequentaram cursos superiores? Não é carreira o trabalho magnífico que as tecelãs de Rezende Costa fazem? Não é carreira o trabalho que as mulheres da Serra da Canastra fazem com que seus queijos sejam referência no mundo? Não é carreira o trabalho daquelas mulheres que cultivam as flores em Barbacena? Não é carreira o trabalho exercido por aquelas professoras que dedicam suas horas fora da escola para realmente alfabetizar nossos filhos negligenciados durante a pandemia?

O que nos faz pensar que somente aquelas e aqueles que estão em evidência merecem ser valorizados? Existe mais vida nos bastidores do que nossos olhos cegados por tantos holofotes e purpurinas podem ver. 

O tema da redação do ENEM deste ano acertou em cheio na sua proposta: somos uma infinidade de marias, carolinas, luizas, franciscas e etc., silenciadas por uma sociedade medíocre e hipócrita que só sobrevive às nossas custas. Às custas da nossa ‘vocação’, tal como definem o trabalho daquelas que não possuem uma carreira estruturada. 

Só nos falta ouvir e aceitar que nenhuma forma de trabalho é inferior à outra e que todo tipo de trabalho é digno.

Desta forma, a homenagem de hoje vai para as mães, professoras, atendentes, secretárias, auxiliares de cozinha, cuidadoras de idosos, crecheiras, cozinheiras e todas aquelas mulheres que executam seu trabalho, remunerado ou não, com amor. A todas vocês, o meu mais afetuoso abraço!

Valeska Magierek – Neuropsicóloga

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