06 Perguntas Frequentes Sobre Autismo

O autismo é um distúrbio do desenvolvimento que afeta a comunicação e interação social, geralmente diagnosticado na infância, com variações de intensidade.

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Estima-se 70 milhões de pessoas tenham autismo, cerca de 1% da população mundial (ONU). Nos últimos dez anos, os dados sobre prevalência têm mudado bastante, com aumento importante nos números, que variam de acordo com a metodologia e local do estudo.

Estatísticas americanas, apresentadas pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), passaram de 1 caso de autismo a cada 150 crianças observadas, em 2000, para 1 em cada 38 crianças, em 2020 e 1 caso para 36 pessoas em 2023. Apesar de não existirem estatísticas referentes à população brasileira, é possível usar os números do CDC como uma referência do que está acontecendo no mundo. Há uma grande discussão acerca de que se esse aumento é real ou se há uma maior capacidade dos profissionais em identificar os casos, conjuntamente com a ampliação dos critérios diagnósticos utilizados e maior consciência da população. Mas não há dúvida de que existe uma demanda muito maior por serviços de qualidade capazes de formular diagnóstico e prover o suporte necessário para pacientes e familiares, ao longo da vida.

Por que foi registrado um aumento tão significativo dos casos nas últimas décadas?

As principais hipóteses levantadas para justificar este aumento são:

  • Maior acesso da população aos serviços de diagnóstico;
  • Formação de profissionais capazes de detectar o transtorno de forma precoce;
  • Pais, professores e pediatras mais conscientes e informados para levantar as primeiras suspeitas;
  • Ampliação da compreensão do que é autismo;
  • Estudos científicos sobre a genética do autismo.

Como é feito o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista – TEA?

O diagnóstico dos Transtornos do Espectro Autista (TEA) é clínico (padrão ouro) e deve ser feito de acordo com os critérios do CID 11 (OMS, 2019) e DSM-5 (APA, 2014), por anamnese completa e detalhada com pais e cuidadores e mediante observação clínica dos comportamentos (há escalas e testes específicos para esta avaliação), pela equipe multiprofissional (médico, psicólogo/neuropsicólogo, etc.). Geralmente o diagnóstico não leva muito tempo para ser concluído: o processo de avaliação deve ser estruturado de maneira que a criança seja avaliada por todos os profissionais da equipe, a fim de que o diagnóstico tenha fidedignidade e possa orientar o tratamento/reabilitação. Neste sentido, cada vez mais toma força o conceito de interdisciplinaridade nos processos diagnósticos, garantindo qualidade e segurança para o paciente.

Quais sinais podem alertar pais e professores quanto à possibilidade de TEA?

As alterações e/ou diferenças no desenvolvimento infantil sempre devem nos alertar. Não necessariamente que tudo seja doença e/ou transtorno, mas devemos prestar bastante atenção aos comportamentos atípicos e desenvolvimento diferente do esperado para a faixa etária.

Sabemos que no TEA, as crianças possuem dificuldades no contato ocular, costumam andar na pontinha dos pés, costumam apresentar atrasos e/ou ausência da fala, apresentam facilidade na aprendizagem de um conteúdo específico (mas costumam aprender com dificuldades habilidades simples, apropriadas para sua faixa etária). A inteligência precisa ser avaliada de maneira global e não apenas sob apenas um aspecto.

A criança que apresentar algum sinal diferente daquele esperado para sua faixa etária deve ser encaminhada e avaliada por equipe competente e treinada, a fim de que, caso haja alguma questão que necessite de investigação, o processo aconteça o mais rapidamente possível, trazendo benefícios para a própria criança.

Com quantos anos se identifica uma criança com autismo?

Os sintomas costumam estar presentes antes dos 3 anos de idade, sendo possível fazer o diagnóstico por volta dos 18 meses de idade.

Estudos demonstram que a identificação precoce dos sinais e dos sintomas de risco para o desenvolvimento do TEA é fundamental, pois, quanto antes o tratamento for iniciado, melhores serão os resultados em termos de desenvolvimento cognitivo, linguagem e habilidades sociais (Dawson et al, 2010; Howlin et al., 2009; Reichow, 2012). Embora seja comum aos pais perceber alterações no desenvolvimento de seus filhos, antes dos 24 meses, muitas vezes demoram em procurar por ajuda especializada. E, por isso, os profissionais da atenção básica tem um papel fundamental na identificação inicial dos sinais e sintomas de risco para o TEA (Matson, Rieske & Tureck, 2011).

Qual profissional pode auxiliar a lidar com os comportamentos inadequados?

Os comportamentos inadaptados e/ou inadequados no TEA podem ser modelados de maneira a diminuir ou, até mesmo, extinguir sua ocorrência.

A Terapia Comportamental trabalha modelando os comportamentos de tal forma a melhorar a inserção social da criança ao seu meio, bem como auxilia os familiares a lidar com essas questões.

Crianças e familiares de pessoas com TEA se beneficiam muito com o acompanhamento em Psicologia Comportamental. Este é o profissional qualificado que ajudará a família a entender quais são os comportamentos típicos do TEA, poderá orientar à família sobre como lidar (o que precisa ser reforçado, o que precisa ser extinguido, como lidar com as birras, etc.) e sobre as técnicas mais eficazes para cada caso.

O TEA tem cura?

O TEA é um transtorno do Neurodesenvolvimento. Isto significa que a criança já se desenvolve, no útero materno, com um cérebro estruturado e organizado de maneira diferente, o que acarretará as diferenças e dificuldades que observamos ao longo de seu desenvolvimento.

O TEA é uma condição permanente, a criança nasce com TEA e torna-se um adulto com TEA.

Contudo, todos os tratamentos disponíveis até agora minimizam as dificuldades, não as curam. Os tratamentos favorecem o desenvolvimento, dentro das possibilidades de cada criança.

Por isso, precisamos ficar atentos às falsas promessas de cura! Não há medicação nem outra conduta que cure o TEA!

Valeska Magierek – Neuropsicóloga

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