Como é feito o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista – TEA?
O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda é eminentemente clínico e deve ser feito de acordo com os critérios do CID 11 e do DSM-5, pela anamnese com a família e mediante observação clínica dos comportamentos (embora já tenhamos escalas e testes específicos para esta avaliação) e pelas avaliações específicas da equipe multiprofissional (médico, psicólogo/neuropsicólogo, fonoaudiólogo, etc.).
O processo de avaliação deve ser estruturado de maneira que a criança seja avaliada por todos os profissionais da equipe, a fim de que o diagnóstico tenha fidedignidade e possa orientar o tratamento/reabilitação o mais rápido e da melhor maneira possível.
Entre os sinais que podem indicar o autismo podemos ter déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social, déficits para desenvolver, manter e compreender relacionamentos, movimentos motores, uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos, insistência nas mesmas coisas, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal, interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco, hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente.
Como o TEA possui uma ampla gama de sinais, somente especialista treinado e experiente é capaz de avaliar se aquela característica pode ou não ser do TEA.
NEM TUDO É AUTISMO!
Talvez o TEA seja o maior desafio que temos atualmente, quando falamos de neurodesenvolvimento. O TEA é muito complexo e não se limita a uma ou outra condição. Em seu espectro de ocorrência e manifestação, o TEA pode vir acompanhado de alterações no padrão de sono, alterações no padrão alimentar (com seletividade e/ou restrições), dificuldades na atenção e concentração, dificuldades na aprendizagem, alterações sensoriais e uma infinidade de outras condições que o profissional experiente pode identificar e diferenciar de outros quadros que podem parecer ou simular o TEA. Estas características podem fazer parte de outras condições fora do autismo e o que determinará a condução correta do caso, será a expertise do especialista.
EXISTEM OUTROS QUADROS QUE PODEM SE CONFUNDIR COM AUTISMO!
O neurodesenvolvimento é um universo de inter-relações e nem tudo o que vemos é autismo. Existem quadros de deficiência intelectual, transtornos sensoriais, transtornos psiquiátricos, transtornos neurológicos e uma infinidade de outras condições que podem ser confundidas com TEA.
Por isso é fundamental o diagnóstico diferencial. Descartar outras possibilidades e condições auxiliam e favorecem o diagnóstico adequado, o que repercute diretamente no cuidado também adequado do paciente.
Vemos com muita frequência quadros sendo tratados de forma ineficiente por causa de diagnósticos não esclarecidos. Temos também a condição de o cuidado não ser realizado de forma efetiva porque a família não aceita o real diagnóstico de seu familiar. Temos, ainda, a sobreposição de diagnósticos que dificultam o cuidado. Talvez a maior prova do quanto ainda precisamos evoluir seja a nossa limitação em entender o TEA e compreender que muito além do diagnóstico existem pessoas que precisam ser cuidadas com singularidade.
Embora o número de casos aumentou significativamente nos últimos anos, nem tudo é autismo. O diagnóstico diferencial precisa ser feito por profissionais experientes e o Neuropsicólogo pode contribuir avaliando as funções cognitivas, confirmando o diagnóstico, verificando se existem outros transtornos associados e orientando a família.
Valeska Magierek – Neuropsicóloga
