Pessoas com autismo no mercado de trabalho

Nunca se falou tanto sobre inclusão no ambiente corporativo, e naturalmente o assunto também se estende para a discussão sobre neurodiversidade. Há alguns anos, falar sobre autismo no mercado de trabalho ainda poderia ser encarado como um tabu.

MercadoAutista

As pessoas com autismo podem e devem ser inseridas no mercado de trabalho.

Você deve estar pensando que há pessoas com autismo grave que não dão conta de trabalhar. Ok, você tem razão! Mas não queremos aqui tratar das exceções. Estes são minoria.

Queremos falar dos milhares de pessoas que dão conta de trabalhar, conviver, ter autonomia e precisam ser inseridas no mercado de trabalho. Dentro do espectro autista, temos uma infinidade de pessoas que irão se formar, aprender um ofício e precisarão de uma oportunidade.

A Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência (Lei nº 8.213/91) é uma importante legislação brasileira que visa promover a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Ela determina que empresas com 100 ou mais funcionários devem reservar uma porcentagem de suas vagas para pessoas com deficiência ou reabilitados do INSS.

Apesar da Lei de Cotas existir há mais de 30 anos, ela não é cumprida em todas as empresas. A maior barreira é o preconceito e a desinformação sobre as potencialidades das pessoas com deficiência. Falta muito conhecimento sobre a inclusão e sobre como lidar com as pessoas neuroatípicas.

Existem vários benefícios em se empregar uma pessoa com autismo. Muitas pessoas com autismo possuem uma capacidade de atenção, de foco e de aceitação de comandos que é incrível. São capazes de dedicar seu tempo integralmente àquilo que lhe são designadas. Tendem a ser precisos, corretos, aderentes a regras e comandos, meticulosos, pontuais, leais, cuidadosos e capazes de produzir como qualquer outra pessoa.

Confira alguns cuidados básicos para você incluir as pessoas com autismo no mercado de trabalho:

 

CUIDADOS BÁSICOS NA CONTRATAÇÃO DE PESSOAS COM AUTISMO:

Faça descrições claras das vagas nos processos seletivos e entrevistas com perguntas objetivas;

Evite testes comportamentais com perguntas sobre situações hipotéticas e respostas que envolvem gradação (p. ex. pouco provável, neutro, muito provável);

Converse com o profissional com autismo: procure entender suas necessidades específicas e esteja disposto a descobri-las junto com ele, ao longo do tempo;

Acompanhe a adaptação do colaborador, principalmente nos primeiros meses após a contratação; escolha uma pessoa para se concentrar nisso.

Crie uma rotina bem estruturada: passe as tarefas gradativamente, sem sobrecarga, com prioridades e prazos bem definidos;

Respeite a sensibilidade: ofereça salas com pouco ou nenhum ruído, normalize o uso de abafadores de ouvido e, se possível, libere dias de home office;

Adapte as avaliações de desempenho: as atuais podem prejudicar o colaborador com autismo porque costumam valorizar habilidades comportamentais em detrimento de resultados técnicos.

Inclua gradualmente a pessoa com autismo nos eventos sociais da empresa. Respeite a vontade da pessoa em participar ou não de festas e happy hour.

Ofereça informação sobre a neurodiversidade para que todos acolham os profissionais com TEA.

 

O mercado de trabalho está em transformação e precisamos nos adequar à esta nova era, gerando oportunidades para todos!

E o Centro AMA está aqui para auxiliar, pois somos especializados em inclusão e desenvolvimento de pessoas. Tem dúvidas? Vamos conversar!

 

Adamir Assis – Consultor em Gestão de Pessoas

Valeska Magierek – Neuropsicóloga

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