Os pais de crianças com deficiências devem ter em mente que a rotina escolar traz benefícios para todos, sem distinção. A escola é local de aprendizagem e de interação. Muitas habilidades são trabalhadas e conquistadas na escola, independentemente da deficiência ou de seu grau de comprometimento. Sendo assim, os pais devem se preparar e estar em contato direto com a escola a fim de que tudo seja ajustado. Informe à escola sobre uso (ou não) de medicamentos, restrições, características do seu filho e como tem sido seu desenvolvimento escolar até então. O diálogo sincero com a escola é fundamental para favorecer a adaptação.
Quais cuidados em casa favorecem a adaptação dos alunos nas escolas?
Reorganizar o horário do sono (dormir e acordar cedo), dar preferência a uma alimentação mais saudável e equilibrada, reduzir drasticamente o tempo de exposição a telas (TV, videogames, tablets e celulares), organizar a agenda de atividades extracurriculares a fim de não prejudicar os estudos, reservar tempo para estudar fora do horário da escola. Essas são questões básicas e necessárias para uma volta tranquila à escola de todos.
Como a escola deve lidar com a entrada de alunos com deficiência em suas salas de aula?
Acabou-se o tempo das exclusões e marginalizações. A escola é direito de todos. Além disso, a Legislação é bem clara e garante o direito de acesso à escola. Contudo, é importante que tanto escolas quanto famílias tenham bom senso na condução do processo. A escola deve ser preparar para receber todos (capacitação dos professores, ajustes na metodologia, ajustes na estrutura física, entre outros). Os pais devem avaliar qual escola é mais adequada para o seu filho, se somente a escola regular, se será a escola especial (para os casos mais graves) ou ambas (quando a criança se beneficiar dos recursos que cada uma oferece). Reforçamos a importância dos pais conhecer a escola, sua proposta pedagógica, sua estrutura e escolherem aquela que lhes passe mais segurança e apoio.
E como as escolas podem incluir os alunos com deficiência de forma humanizada?
Quando uma criança com deficiência chega na escola, a adaptação é para todos: para o aluno com deficiência, para os alunos sem deficiência, para os pais de ambos e para os professores. Uma conversa franca com os alunos sem deficiência sobre as diferenças, é um importante começo, a fim de minimizar os estranhamentos e comportamentos de exclusão que geralmente ocorrem. Acolher a todos, sem distinção de sua condição, é obrigação de todos nós enquanto pessoas. Compreender que as pessoas têm desenvolvimentos e caminhos diferentes é obrigação dos pais e dos professores. Quanto mais conhecemos algo que nos causa estranheza, mais nos abrimos para a real inclusão. Não há alunos melhores ou piores. Na verdade, há pessoas em busca de desenvolvimento, independentemente de sua condição.
O que os professores podem fazer para facilitar a adaptação?
Converse com os pais para compreender as particularidades da criança: o que ela gosta, o que ela dá conta de fazer, quais hábitos, quais restrições ela tem, como é o seu comportamento de forma geral, quais terapias ela faz fora da escola.
Converse com as crianças sobre as diferenças individuais. Ajude a entender que vivemos numa sociedade com muita diversidade e que todos são bem-vindos. Cada um terá sua cor, raça, habilidades, restrições, preferências, talentos. E desta convivência irá surgir muito aprendizado.
Estabeleça com as crianças desde o início quais as regras de convivência, discuta e revise sempre que necessário estes acordos.
Incentive a cooperação desde o início do ano. Todos ajudando e cooperando terão um ambiente mais leve e humano. Quanto mais cooperação tiver entre os alunos menos o professor fica sobrecarregado
Professores, no caso de dúvidas ou dificuldades, peça ajuda imediatamente. A supervisão escolar, os especialistas que atendem a criança e os próprios pais sempre devem ser consultados e podem ter informações que agreguem. É o trabalho conjunto e integrado entre todos que contribuirá para maior aprendizado, autonomia e sucesso da criança.
Professores, cuidado com sua auto cobrança, estude sobre o caso, saiba o que a criança pode desenvolver e tenha consciência também dos seus limites.
Valeska Magierek – Neuropsicóloga
Adamir Assis – Psicólogo
