A mulher é tida como o sexo frágil, aquele que precisa ser protegido. Esta é uma visão real da mulher?
Ainda estigmatizadas como pessoas frágeis, pouco capazes e uma infinidade de outras atribuições equivocadas, somos aquelas que são chefes de família, que criam seus filhos (muitas e infinitas vezes sozinhas), que trabalhamos fora enquanto a casa e a família nos espera, que nos dividimos em mil para dar conta de tanta coisa num único dia, que lida com as adversidades diárias e não desiste de lutar. Sendo assim, o título de fragilidade não nos cabe. Muito pelo contrário, somos muito mais guerreiras e vitoriosas do que frágeis e necessitadas de cuidado e proteção.
Temos visto uma deturpação no que se refere ao empoderamento feminino nas redes sociais. Por que isso tem acontecido?
A deturpação dos comportamentos que se dizem de empoderamento está na dificuldade de compreender exatamente o que o termo tem a nos dizer. A autoexibição em quaisquer tipo de rede, sobretudo aquelas sociais, fala muito mais de saúde mental do que propriamente de empoderamento. Mulher empoderada é aquela que o sabe ser, cuida da sua vida, contribui para o crescimento de outras pessoas, é dona de seu próprio nariz e possui noção clara de quem realmente é, sem cai nas armadilhas do perfeccionismo e ilusionismo feminino.
Vivemos uma época de violência à mulher muito grave. Como podemos nos proteger?
A violência contra a mulher sempre existiu. A diferença nos dias atuais é que hoje podemos e conseguimos falar a respeito. Contudo, ainda temos mulheres que têm medo de se defender contra todas as formas de violência, sobretudo aquelas silenciosas. Quantas vezes ainda teremos notícias de mulheres que num dia apareciam ‘felizes’ em fotos em redes sociais e no outro dia desaparecem? A proteção contra a violência deve partir da própria mulher com a adoção de um comportamento e estilo de vida autônomo e independente. Cuidado com perfis carentes que caem em armadilhas fáceis. Cuidado com o que se vende facilmente nas redes sociais.
Diante da ameaça ou de violência propriamente dita, o que devemos fazer?
O importante e mais acertado é não entrar em relacionamentos ruins que já dão pistas, mesmo que sutis, desde o início. Mas se já está nele, tenha coragem de sair, de mudar de vida e de denunciar. Procure alguém de confiança e a polícia, se for necessário. Não caia nas conversas mansas que a enganam para reatar relacionamentos falidos. As pessoas não mudam de um dia para o outro. E você acaba se tornando alvo fácil de todas as formas de violência.
Finalizando…
Sempre relembro às mulheres com quem convivo que somos mais do que os anos que temos, que os cabelos que possuímos, que os corpos que exibimos. Somos mais do que as outras pessoas projetam em nós. Somos aquelas que dão a vida, que abrigam vida dentro de si, que educam uma sociedade inteira. Somos sorrisos e lágrimas, derrotas e vitórias, sombra e luz. Somos conforto e colo. Somos um universo borbulhando dentro de nós. Somos capazes daquilo que se duvida. Somos detentoras da nossa própria vida. Somos capazes de ser e de fazer o que quisermos. Mulher! Abandone seus medos, seus rótulos e vá ser feliz! A vida acontece agora!
Valeska Magierek – Neuropsicologa
